I find Volkswagen’s lack of faith disturbing_

E de repente (não agora, claro) o mundo desperta a consciência ambiental. Motivado apenas pela sua própria corda ao pescoço, porque se assim não fosse, tudo estaria tranquilo. Sabemos bem que, infelizmente, o ser humano apenas dá corda aos sapatos quando é para fugir à catástrofe que já se adivinha impossível de escapar. É um facto, como estudar na noite anterior ao exame porque não se fez nada na semana livre de aulas.

Curiosamente, o grande impulsionador de toda a economia verde é a Industria Automóvel. Não fossem os carrinhos o maior cuspidor de carbono que existe. Mas, não se pode também ser hipócrita, afinal, todos nós somos possuidores de um desses magníficos aparelhos. E diga-se de passagem, sem eles a evolução que hoje experienciamos não seria possível. Tanto a nível tecnológico como comunicacional. O problema na questão da economia verde no que toca à construção de carros é que a mesma não é impulsionada como devia ser. Porquê? Porque se precisamos de veículos mais eficientes, não podemos aderir a veículos que poluem cada vez mais. É irónico que numa altura em que tanto se apregoa às tecnologias eficientes na estrada, se construam cada vez mais Jipes e SUV’s. Mas isso fica para outro dia.

Ora, no meio desta história toda está a Volkswagen, uma das maiores construtoras de automóveis do mundo, e é no seu sentido que aponta este post. É que a Greenpeace lançou ontem a campanha DARK SIDE, criado um spoof do famoso anúncio THE FORCE para o novo Passat. Aproveitando a temática Star Wars que envolve o spot, a Greenpeace acusa a Volkswagen de ceder ao “lado negro da força”, visto esta ter criado um poderoso conjunto de lobbys contra as leis necessárias para abrandar as emissões de carbono. Mais, acusa ainda a marca de hipocrisia, visto que a mesma se gaba de investir em tecnologias não poluentes, afirmando-se mega ecológica, mas por outro lado apenas 6% dos seus veículos as usam. Fora o facto dos veículos que utilizam a tecnologia BLUEMOTION, que supostamente reduz emissões, produzirem quantias de CO acima do assinalado nas especificações técnicas.

Contra tudo aquilo referido em cima, a Greenpeace criou um micro site e dois filmes, que procuram chamar fãs a juntar-se à Rebellion, para convencerem a Volkswagen a deixar o Lado Negro e a abraçar e ajudar a implementar, de uma vez por todas, todas as condições necessárias para que, até 2030, as emissões de carbono possam ficar abaixo do que estavam em 1990. Porque como a ONG diz, “acreditamos que ainda é possível puxar a Volkswagen para o lado bom da Força”. A juntar aos filmes e site, a Greenpeace está ainda a ocupar em modo ambush outdoors por todo o mundo com a campanha.

Esta acção integrada não é menos que brilhante. Não apenas pelo facto de aproveitar tão bem o spot do Passat, mas por o fazer após o mesmo ter arrecadado dois Leões de Ouro em Cannes na passada semana. Ou seja, foram implacavelmente cirúrgicos e estratégicos, desmanchando o brilho daquela que é uma das maiores distinções a nível de imagem de marca. Isto é sentido de oportunidade. Isto é publicidade de intervenção no seu melhor.

Por esta hora a Volkswagen deve estar a dizer: IT’S A TRAP!

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  1. stratum posted this